Quinta-feira, 23 de junho de 2011.
Era por volta das 22h40. Há alguns dias sua mãe já me relatava sentir alguns chutinhos. Ela me chamava correndo para por a mão na barriga dela mas, infelizmente, essa era uma sensação - mais uma - reservada exclusivamente à mamãe. Juro, meu filho, que tentei por diversas e diversas vezes "aguçar" o meu tato, tentando canalizar a minha mente e direcionar toda a atenção às minhas mãos sob a barriga de sua mãe. Em vão. Ficava, contudo, sempre e sempre muito feliz cada vez que a sua mãe compartilhava todas as sensações daqueles momentos. Sabe, meu filho, de um modo geral a inveja não é um sentimento bom. Então, não sei como denominar o que sentia, porque não era nada de ruim não, mas... ah, filhão, pensava eu com meus botões: "como eu gostaria estar no lugar da sua mãe". Se a paternidade no período da gestação já é algo extraordinário, imagino como deva ser a maternidade... Sua mãe é mesmo uma afortunada!
Filho, até aqui meus contatos com você - todos eles - foram sempre por intermédio da tecnologia. Por meio dela, arregalei meus olhos para suas fotos, vibrei com seus movimentos e chorei com o som de seu coração. Então, bendita seja a tecnologia! Hoje, porém, demos um grande e inesquecível passo em nosso relacionamento. Hoje, exatamente quando estava falando todo entusiasmado de você para a sua mãe, ela pegou a minha mão e a pôs sob a sua barriga. Alguns segundos de silêncio e... filho meu, senti você chutar várias e várias vezes!!! Jamais vou esquecer do que senti!!! Obrigadão, meu filho!!!
Numa próxima oportunidade, vou compartilhar exatamente sobre o que eu falava no momento em que você "chutou pra mim", pode ser?
Hoje não. Hoje só gostaria de deixar registrado a minha emoção nesse momento. Puxa vida, que maravilhoso sentir você desse jeito! Meu coração disparou e minhas pernas cambalearam. Ainda bem que estava na cama. Mas a emoção foi tanta que não consegui dormir. Tinha que me levantar e tentar escrever tudo. Mais do que este simples registro, esse momento, sem dúvida alguma, estará eternizado em meu coração.
Mas, não se engane meu filho, isso não é ser piegas. Piegas é um termo empregado quando o sentimento é destinado a coisas pequenas. E, embora você ainda seja bem pequenininho, com certeza esse momento não teve nada de acanhado.
Por fim, acho oportuno compartilhar um ensinamento que tive em minha vida... As coisas por si só não tem um significado absoluto. O significado de cada fato é dado por nós mesmos. Assim, não posso dizer que a paternidade, por si só, tenha a capacidade de fazer pessoas melhores... depende... Depende do pai, do como e do quanto se vive esse papel.
Amo você ainda mais!
Seu pai.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
29.640.
Querido Yuki,
Ontem foi dia da “Ecografria Morfológica”! Como diria a sua mãe: “Uhúúú”! Aliás, diria não, ela disse isso mesmo e muito mais.
Filho, você é mesmo im-pres-sio-nan-te! Não quero encher a sua bola não, mas também é bem bonitão, hein! Deve ter puxado... deixa eu pensar... a sua mãe, é claro!
E como você cresceu, meu filhão! Na última vez, você media 6,94 cm e já exibia toda a sua energia! Agora, meu filho, você tem 29 cm e está pesando 640g! Uau! Se continuar nesse ritmo, vai ser jogador de basquete... e pivô! (rsrsrs) Tá bom, talvez eu esteja exagerando um pouquinho... ou muito, quem sabe... é que ver você me empolga muito, então me dê um desconto.
Agora, vou te falar, hein! Você deu um trabalhão para o médico! Explico: esse tal de “ecografia morfológica” é o exame que analisa toda a sua anatomia, além de fazer a sua biometria. Em português mais claro, é como se cada um dos seus estrondosos 29 cm fossem analisados e medidos. E, filho, para o doutor conseguir fazer isso, ele contava com uma certa cooperação sua, o que, digamos assim, não foi muito fácil de se conseguir...
Parecia que você já estava ouvindo e entendendo tudo o que ele dizia. Sério! Tanto é que quando ele dizia “vamos ver a perninha esquerda do bebê”, você logo tratava de escondê-la. Daí ele dizia: “agora vamos ver a perninha direita do bebê... o braço direito, o esquerdo, os pés, as mãos, o nariz, a boca...” enfim, cada pedacinho seu que ele citava, você tratava exata e imediatamente de esconder... Imagino que você deva ter gostado de brincar com ele... reparei um sorrisinho seu, ainda que disfarçado. Se fosse futebol, diria que você deu uma canseira no adversário de tantos “olés” que ele levou... “tadinho” dele, meu filho! Devo dizer, porém, que eu me diverti e muito... e nem precisei disfarçar... dei gargalhadas! Achei que você demonstrou duas coisas que são importantes na vida: muita personalidade e, também, um grande senso de humor. Já quanto ao doutor, meu filho, penso que talvez depois de hoje ele passe a achar que não é muito bem remunerado... huahuahua.
Já a noite, sonhei com você. Normalmente não me lembro do que sonho mas, ainda bastante mexido em te ver por quase uma hora, acordei com a sensação de que tínhamos vivido juntos vários episódios da vida real. Difícil destacar qual eu mais gostei, mas o que mais me marcou foi o último: o dia em que você nasceu. A emoção foi tão forte que quando acordei enxuguei as lágrimas que ainda corriam em meu rosto. Muito forte!
Sabe, meu filho, você ainda nem nasceu e já consegue mexer com a vida das pessoas aqui fora. Eu mesmo me sinto estar renascendo a cada dia desde que soube da sua existência. A cada manhã, acordo com a disposição de me tornar uma pessoa melhor para poder ser um pai digno de um filho como você e também de fazer algo pelo mundo que o aguarda. Esse seu poder de mexer com a vida das pessoas ao seu redor e gerar transformações no ambiente que o cerca, é mesmo fantástico. Por convicção, penso que todo o ser humano tem esse mesmo potencial inato, mas, sinceramente, não sabia que um filho poderia fazer tanto por um pai antes mesmo de nascer.
Obrigado por você existir! E um viva aos seus extraordinários 29 cm e 640 g!!!
Amo você!
Seu pai.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O Som do Coração
Querido Yuki,
Faz algum tempo, fui ao cinema com a sua mãe para assistir um filme chamado “O Som do Coração”. O filme trata do extraordinário poder do som e também fala de amor. Muito emocionante, um dos melhores que já assisti! Lembro que quase dei vexame em público, não conseguindo conter as lágrimas... ainda bem que sua mãe estava lá para me acalmar. Acho que você vai notar ao longo de sua vida que esse seu pai é mesmo um chorão. Mas, tudo bem, porque também não tinha pretensão alguma de lhe esconder meus sentimentos. Isso não quer dizer que me emocione com qualquer coisa... quer dizer que o que sinto é sempre exacerbadamente “sentido”. Sou absoluta e até absurdamente passional e emotivo, confesso. Sua mãe, por sua vez, é bem mais racional e equilibrada. Ainda bem, né?! Essa combinação tem feito bem ao nosso casamento e assim também você terá a oportunidade de ter contato com esses dois mundos tão diferentes, mas que se complementam.
Lembrei desse filme e das emoções que senti naquele dia, porque anteontem fomos nós três (sua mãe, você e eu) à obstetra novamente para a já tradicional consulta pré-natal mensal. Após os cumprimentos e as perguntas de praxe, a médica foi com a sua mãe para a maca, atrás de um biombo. Eu fiquei sentado, aguardando, cego, mas de orelhas esticadas. Acho que eu parecia um daqueles cachorros que têm suas orelhas mutiladas pelos donos, só para deixá-las, por questões estéticas, em pé.
Então, veio o momento mais aguardado da consulta... “Vamos escutar o coração do bebê?”, disse a médica. “Oba”, pensei eu. Filho meu, que batucada maravilhosa! Seu coração bate forte, rítmico, vigoroso... Definitivamente, é o som mais bonito, tocante e espetacular que já ouvi na minha vida. Nas consultas e exames anteriores já o tinha escutado, mas a emoção é sempre como a de uma estréia. É algo indescritível mesmo, não só pela minha incapacidade de descrever. Tenho certeza que você só terá idéia da emoção quando for a sua vez... quando for você que estiver lá sentado naquela cadeira.
Ainda não sei o que você vai achar de ser meu filho, mas eu já estou achando o máximo ser seu pai. Obrigado pela oportunidade!
A personagem principal do filme que citei é um menino que foi afastado dos pais por força das circunstâncias. Seu destino parecia já estar irremediavelmente traçado. Mas, ele não se contentou com aquilo que se previa. Levantou-se resolutamente e desafiou o destino. Venceu.
Não sei se você será um virtuoso da música como aquela personagem. Nem sei o quanto você irá gostar de música. Sequer sei se você irá gostar ou não. Pouco importa. Saiba, contudo, que você tem o poder de transformar a sua vida naquilo que determinar e poderá escrever o seu próprio destino. E, nessa estrada, nos momentos bons ou nas adversidades, jamais esqueça que não estará sozinho.
Por enquanto, o som do seu coração é o único canal que temos de comunicação, ao menos de você aí dentro para nós aqui fora. É o som da sua vida que segue se desenvolvendo. Cada batida sua faz o meu coração quase pular para fora, talvez na ânsia de ir ao encontro do seu. O som do seu coração faz a minha vida vibrar com profunda e inigualável felicidade.
Com amor,
Seu pai.
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