quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Som do Coração

Querido Yuki,


Faz algum tempo, fui ao cinema com a sua mãe para assistir um filme chamado “O Som do Coração”. O filme trata do extraordinário poder do som e também fala de amor. Muito emocionante, um dos melhores que já assisti! Lembro que quase dei vexame em público, não conseguindo conter as lágrimas... ainda bem que sua mãe estava lá para me acalmar. Acho que você vai notar ao longo de sua vida que esse seu pai é mesmo um chorão. Mas, tudo bem, porque também não tinha pretensão alguma de lhe esconder meus sentimentos. Isso não quer dizer que me emocione com qualquer coisa... quer dizer que o que sinto é sempre exacerbadamente “sentido”. Sou absoluta e até absurdamente passional e emotivo, confesso. Sua mãe, por sua vez, é bem mais racional e equilibrada. Ainda bem, né?! Essa combinação tem feito bem ao nosso casamento e assim também você terá a oportunidade de ter contato com esses dois mundos tão diferentes, mas que se complementam.

Lembrei desse filme e das emoções que senti naquele dia, porque anteontem fomos nós três (sua mãe, você e eu) à obstetra novamente para a já tradicional consulta pré-natal mensal. Após os cumprimentos e as perguntas de praxe, a médica foi com a sua mãe para a maca, atrás de um biombo. Eu fiquei sentado, aguardando, cego, mas de orelhas esticadas. Acho que eu parecia um daqueles cachorros que têm suas orelhas mutiladas pelos donos, só para deixá-las, por questões estéticas, em pé.

Então, veio o momento mais aguardado da consulta... “Vamos escutar o coração do bebê?”, disse a médica. “Oba”, pensei eu. Filho meu, que batucada maravilhosa! Seu coração bate forte, rítmico, vigoroso... Definitivamente, é o som mais bonito, tocante e espetacular que já ouvi na minha vida. Nas consultas e exames anteriores já o tinha escutado, mas a emoção é sempre como a de uma estréia. É algo indescritível mesmo, não só pela minha incapacidade de descrever. Tenho certeza que você só terá idéia da emoção quando for a sua vez... quando for você que estiver lá sentado naquela cadeira.

Ainda não sei o que você vai achar de ser meu filho, mas eu já estou achando o máximo ser seu pai. Obrigado pela oportunidade! 

A personagem principal do filme que citei é um menino que foi afastado dos pais por força das circunstâncias. Seu destino parecia já estar irremediavelmente traçado. Mas, ele não se contentou com aquilo que se previa. Levantou-se resolutamente e desafiou o destino. Venceu.

Não sei se você será um virtuoso da música como aquela personagem. Nem sei o quanto você irá gostar de música. Sequer sei se você irá gostar ou não. Pouco importa. Saiba, contudo, que você tem o poder de transformar a sua vida naquilo que determinar e poderá escrever o seu próprio destino. E, nessa estrada, nos momentos bons ou nas adversidades, jamais esqueça que não estará sozinho.

Por enquanto, o som do seu coração é o único canal que temos de comunicação, ao menos de você aí dentro para nós aqui fora. É o som da sua vida que segue se desenvolvendo. Cada batida sua faz o meu coração quase pular para fora, talvez na ânsia de ir ao encontro do seu. O som do seu coração faz a minha vida vibrar com profunda e inigualável felicidade.

Com amor,

Seu pai.

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