segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Humanidade" ou "Passarinhade"

Querido filho,

Ontem foi seu aniversário de 35 semanas. Em mais 3 a 5 semanas, teremos o nosso primeiro encontro. Não sei quanto a você, mas estou bastante ansioso. Não vejo a hora de poder olhar para você e me apresentar...

Enquanto isso, continuamos ainda em fase de discussão sobre o seu nome completo... temos (sua mãe, sua obatyan, seu odityan e sua tia) algumas propostas, mas ainda seguimos sem uma definição. Seja como for, o certo é que você será "Yuki" que em japonês quer dizer "coragem" e assim será chamado. Espero que você goste tanto do seu nome quanto eu gosto do meu, uma vez que ambos os nomes (Yuki e Tikara) carregam consigo um significado muito mais profundo do que a simples tradução literal.

Bem, mas deixa eu te contar como foi essa semana que passou...

Filho, tenho me esforçado bastante no trabalho. Tudo por lá foi bastante corrido, mas também muito proveitoso e agradável. Seguindo uma orientação que ouço desde criança, tenho me esforçado por três no trabalho, procurando me tornar uma pessoa indispensável. Para ser bem sincero, antes de saber de você não levava as coisas desse jeito. Não que não levasse o trabalho a sério, mas agora estou levando mais seriamente a lição recebida. Filho, mas quando falo em "seriedade" não quer dizer que estou vivendo para trabalhar, que o trabalho seja um fardo ou que vá trabalhar carrancudo. Acredito que a seriedade está mais relacionada com os princípios e propósitos do que com trabalho em si. Então, atualmente, procuro fazer do trabalho mais uma ferramenta para gerar felicidade. Assim, pergunte para a sua mãe, volta e meia chego em casa cantarolando aos quatro cantos, com uma agradável sensação de bem-estar por estar fazendo o que gosto, como gosto, com propósitos que acredito e sendo reconhecido, valorizado. Sabe, meu filho, embora esses quatro aspectos ("o que", "como", "finalidade" e "contrapartida") sejam naturalmente almejados por todos, infelizmente não é algo comum de as pessoas encontrarem todos juntos. E penso que só quando todos esses fatores estão presentes é que se pode dizer que "o trabalho dignifica o Homem"... Sou mesmo um afortunado!

No sábado, fomos tirar umas fotos de sua mãe com o barrigão, tendo como fundo o Jardim Botânico. Ela ficou bem linda... depois mostro pra você. Ainda vamos fazer uma sessão em estúdio por esses dias. Tudo na ânsia de deixar registrado esses momentos tão especiais da sua gestação.

Antes do momento "top model" de sua mãe , a minha mãe (sua obatyan) me pediu que cortasse uns galhos de árvore do quintal dela. Com o "bom humor" que lhe é característico, pediu-me uma vez que "já havia pedido ao meu pai (seu odityan) várias e várias vezes". Então lá fui eu.

Não tinha nada de difícil e fui com todo o meu vigor. O "servicinho" tava rendendo... 20 minutos e já estava quase concluído... Até que tive que fazer uma parada. No topo de um dos galhos que já estava praticamente podado (preso por poucos centímetros ainda à árvore), encontrei um ninho de passarinho meio que camuflado em meio a folhas e outros galhos. Estiquei os olhos e vi... embora tivesse feito uma enorme bagunça, cortando galhos e mais galhos e balançando tudo, a "mãe passarinho" permaneceu no ninho sob seus ovos, firme e forte. Nem a minha presença mais próxima a provocou a fugir. Ficou ela lá... sem dizer nenhuma palavra, mas absolutamente firme em seus propósitos.

Bem, meu filho, levei mais quase 1 hora em uma operação para deixá-la (a mãe, sua casa e seus filhotes) em paz e em segurança... O final do meu serviço vai ficar para depois que ela (a mãe passarinho) quiser.

É, Yuki, nós humanos, temos muito mesmo a aprender de "humanidade"... até mesmo com "não-humanos".

Amo você!!!

Seu pai.

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