domingo, 2 de outubro de 2011
Corajoso Yuki
Filho querido,
Hoje é o dia mais feliz da minha vida! Exatamente às 10h10, vi você chegar ao mundo, medindo 46,5 cm e pesando 2,76 Kg. Pulmões a pleno vapor.
Chegamos à maternidade um pouco antes das 07h30. A recepção foi bem rápida e logo fomos encaminhados à sala de espera. Nem 5 minutos e sua mamãe já foi encaminhada ao Centro Cirúrgico. Na breve despedida, meu coração quase sumiu em si mesmo de tão apertado que ficou.
Então sua avó e eu fomos para o apartamento para acomodar as roupas que aguardariam a saída de vocês. O tempo passou até bem rápido.
Às 09h, iniciei a parte que me cabia. Seguindo rigorosamente as orientações que recebi, fiquei de frente à porta do Centro Cirúrgico. Uns 10min depois, a enfermeira veio me chamar e me encaminhou ao vestiário. Lá, forçando a memória sobre as lições recebidas no Curso para Pais Grávidos, ia fazendo e refazendo mentalmente todo o meu roteiro, enquanto me paramentava (roupas, touca e máscara). Nesse exercício, três funções: não atrapalhar, prestar todo o apoio à sua mãe e receber você devidamente.
Filho, parecem coisas bem fáceis, mas não são ao menos para mim. Para não atrapalhar tinha que lembrar de não tocar em nada, posicionar-me devidamente e ainda tratar de aguentar firmão a tudo. Para ser mais claro, com certeza não iria conseguir cumprir essa função se, por exemplo, desmaiasse, batesse a cabeça no chão e chamasse a atenção da equipe médica para euzinho, não é? Pense, meu filho, num cara super estreiante, hiper atrapalhado, mega nervoso, ultra ansioso e blaster medroso para essas coisas "médicas" (sangue, corte, médico etc.)... sou eu!
Apesar disso, missão 1 cumprida... e ainda me dei ao luxo de tirar umas fotinhas e fazer piadinhas com a sua mãe e a equipe.
Na missão de prestar apoio à sua mãe, tirei de letra também... até esnobei, fazendo dezenas de declarações inéditas ao pé do ouvido... huahuahua. Estava super inspirado. Comigo é assim, missão dada é missão cumprida! rsrsrs
Já na minha terceira missão... aí a coisa complicou... Havia pensado milhares de vezes na cena. Fiz como manda o bom planejamento, antecipando todas as situações... porém... contudo... todavia... ca-ra-ca!
Não deu pra aguentar. Quando te vi, meu filho, eu não vi mais nada e quase que nem te vi... Vou detalhar a cena para que você consiga me compreender.
Filho, respirar com aquela máscara (para mim que não sou do ramo) já não é tão fácil. Agora tente imaginar em como conseguir respirar se a máscara encharcou e, como consequência de tanta água que jorrava dos meus dois olhos, o nariz, proporcionalmente, também passou a escorrer? Filho, se não se respira, ao menos neste mundo, não dá pra fazer mais nada na vida, concorda? Imaginou? Pois então, com tudo isso, ainda beijei a sua mãe, peguei você no colo e fiz meu juramento de pai no seu ouvido. Me superei, meu filho! rsrsrsrs
Mas nem tudo são só flores, não é mesmo? Você nasceu em excelentes condições de saúde e o seu parto foi um absoluto sucesso. Porém, como haviam muitas crianças que nasceram quase que simultaneamente, você foi o último a ir para o banho. Essa circunstância aliada a outras tantas, levou ao fato de ter sua temperatura bastante diminuída. Então, você foi do berçário ao apartamento e voltou por duas vezes, permanecendo longe da sua mãe por longas 10 horas. Entrou e saiu da incubadora por 3 vezes.
Eu observei você o tempo inteiro. Testemunhei bem de perto seu espírito de luta e a sua saga para, enfim, poder ir para o colo de sua mãe. Ainda que os olhos de um pai sejam totalmente suspeitos, penso que você enfrentou o desafio de maneira impressionante. Difícil mesmo descrever em palavras o seu comportamento e a sua postura perante aquela, ainda que não tão grave, adversidade. Penso que escolhemos bem o seu nome e desejo que jamais se esqueça do profundo significado que carrega.
Então a noite você finalmente conseguiu. Jamais vou me esquecer do que pude extrair do encontro de vocês. Sua mãe, profundamente tocada. E você, de olhos fixos nela, como que dizendo: "Está vendo mamãe, eu posso sempre vencer!"
Obrigado meu filho por hoje.
Amo você ainda mais!
Seu pai.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Em princípio, 1º de outubro!
Querido Yuki,
Na última terça-feira (13), fomos novamente à médica. Na saída, enquanto caminhávamos em direção ao carro, sua mãe ria, ria, ria sem parar. Misto de uma profunda felicidade e um pouco de nervosismo. É que a médica havia acabado de nos informar a data (previsão) de seu nascimento e a sua mãe não conseguia se conter com tão maravilhosa notícia.
1º de Outubro! Se o exame e a consulta do dia anterior confirmarem, você estará vindo ao mundo daqui a exatos 15 dias!!! Uhúúúú!!!
Confesso estar cada vez mais ansioso... assim como a sua mãe, só que ela faz bem mais barulho... rsrsrs
Já no carro, rumamos ao nosso próximo destino. Sua mãe havia planejado esse compromisso já há algum tempo e eu, como companheiro que procuro ser, não podia me esquivar de participar. Filho meu, fomos a um estúdio fotográfico... Aí você pode pensar: "ué, o que que tem?". Tem muita coisa sim, meu filho. Primeiro que, apesar de curtir fotografias, não gosto de nenhuma foto minha. Em segundo lugar, não gosto também de posar para fotos... sabe, fazer poses, caras e bocas... vixi... não é a minha praia. E, em terceiro lugar, nunca havia usado maquilagem na minha vida... tá bom assim ou quer mais? rsrsrs
Filho, mas a vontade da sua mãe em deixar registrada da melhor maneira possível a sua gravidez era tanta, que eu tinha mais é que encarar o desafio mesmo.
Sua mãe, como de costume em todas as coisas que ela faz, saiu-se super bem. Ficou bem linda! Parecia a Gisele Bündchen... uma desenvoltura impressionante em meio a tantas luzes, trocas de roupas e as centenas de cliques. E eu? Filho, acho que minha perfomance em frente às lentes foi como a de uma árvore... E isso que, em consideração à sua mãe, esforcei-me muito mesmo, hein! rsrsrs Mas, definitivamente, não levo o menor jeito pra coisa.
Ah, o que a gente não faz por amor, meu filho... Não foi mico não... foi o próprio King-Kong! rsrsrs
A noite, após o meu trabalho, fui encontrar a sua mãe para o último compromisso do dia: o curso para pais grávidos. Mais um que fomos fazer para podermos estar melhor preparados. Dessa vez, o curso se denominava "Parto Sem Medo". Foram duas noites (terça e quarta) de muitas informações importantes e interessantes. E, filho meu, o mais importante: saí do curso HABILITADO! É que ao final do curso recebi um certificado que me possibilita assistir ao parto ficando bem ao lado da sua mãe, tendo a extraordinária oportunidade de ver o exato momento em que você virá ao mundo!
Habilitado estou e vontade de estar ao lado de vocês nesse importante momento, eu tenho. Agora é orar para que eu tenha forças para aguentar. Que meu tal de sistema nervoso autônomo me permita!
Torce pra mim aí, meu filho!!! rsrsrs
Amo você cada vez mais!!!
Seu pai
Na última terça-feira (13), fomos novamente à médica. Na saída, enquanto caminhávamos em direção ao carro, sua mãe ria, ria, ria sem parar. Misto de uma profunda felicidade e um pouco de nervosismo. É que a médica havia acabado de nos informar a data (previsão) de seu nascimento e a sua mãe não conseguia se conter com tão maravilhosa notícia.
1º de Outubro! Se o exame e a consulta do dia anterior confirmarem, você estará vindo ao mundo daqui a exatos 15 dias!!! Uhúúúú!!!
Confesso estar cada vez mais ansioso... assim como a sua mãe, só que ela faz bem mais barulho... rsrsrs
Já no carro, rumamos ao nosso próximo destino. Sua mãe havia planejado esse compromisso já há algum tempo e eu, como companheiro que procuro ser, não podia me esquivar de participar. Filho meu, fomos a um estúdio fotográfico... Aí você pode pensar: "ué, o que que tem?". Tem muita coisa sim, meu filho. Primeiro que, apesar de curtir fotografias, não gosto de nenhuma foto minha. Em segundo lugar, não gosto também de posar para fotos... sabe, fazer poses, caras e bocas... vixi... não é a minha praia. E, em terceiro lugar, nunca havia usado maquilagem na minha vida... tá bom assim ou quer mais? rsrsrs
Filho, mas a vontade da sua mãe em deixar registrada da melhor maneira possível a sua gravidez era tanta, que eu tinha mais é que encarar o desafio mesmo.
Sua mãe, como de costume em todas as coisas que ela faz, saiu-se super bem. Ficou bem linda! Parecia a Gisele Bündchen... uma desenvoltura impressionante em meio a tantas luzes, trocas de roupas e as centenas de cliques. E eu? Filho, acho que minha perfomance em frente às lentes foi como a de uma árvore... E isso que, em consideração à sua mãe, esforcei-me muito mesmo, hein! rsrsrs Mas, definitivamente, não levo o menor jeito pra coisa.
Ah, o que a gente não faz por amor, meu filho... Não foi mico não... foi o próprio King-Kong! rsrsrs
A noite, após o meu trabalho, fui encontrar a sua mãe para o último compromisso do dia: o curso para pais grávidos. Mais um que fomos fazer para podermos estar melhor preparados. Dessa vez, o curso se denominava "Parto Sem Medo". Foram duas noites (terça e quarta) de muitas informações importantes e interessantes. E, filho meu, o mais importante: saí do curso HABILITADO! É que ao final do curso recebi um certificado que me possibilita assistir ao parto ficando bem ao lado da sua mãe, tendo a extraordinária oportunidade de ver o exato momento em que você virá ao mundo!
Habilitado estou e vontade de estar ao lado de vocês nesse importante momento, eu tenho. Agora é orar para que eu tenha forças para aguentar. Que meu tal de sistema nervoso autônomo me permita!
Torce pra mim aí, meu filho!!! rsrsrs
Amo você cada vez mais!!!
Seu pai
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
"Humanidade" ou "Passarinhade"
Querido filho,
Ontem foi seu aniversário de 35 semanas. Em mais 3 a 5 semanas, teremos o nosso primeiro encontro. Não sei quanto a você, mas estou bastante ansioso. Não vejo a hora de poder olhar para você e me apresentar...
Enquanto isso, continuamos ainda em fase de discussão sobre o seu nome completo... temos (sua mãe, sua obatyan, seu odityan e sua tia) algumas propostas, mas ainda seguimos sem uma definição. Seja como for, o certo é que você será "Yuki" que em japonês quer dizer "coragem" e assim será chamado. Espero que você goste tanto do seu nome quanto eu gosto do meu, uma vez que ambos os nomes (Yuki e Tikara) carregam consigo um significado muito mais profundo do que a simples tradução literal.
Bem, mas deixa eu te contar como foi essa semana que passou...
Filho, tenho me esforçado bastante no trabalho. Tudo por lá foi bastante corrido, mas também muito proveitoso e agradável. Seguindo uma orientação que ouço desde criança, tenho me esforçado por três no trabalho, procurando me tornar uma pessoa indispensável. Para ser bem sincero, antes de saber de você não levava as coisas desse jeito. Não que não levasse o trabalho a sério, mas agora estou levando mais seriamente a lição recebida. Filho, mas quando falo em "seriedade" não quer dizer que estou vivendo para trabalhar, que o trabalho seja um fardo ou que vá trabalhar carrancudo. Acredito que a seriedade está mais relacionada com os princípios e propósitos do que com trabalho em si. Então, atualmente, procuro fazer do trabalho mais uma ferramenta para gerar felicidade. Assim, pergunte para a sua mãe, volta e meia chego em casa cantarolando aos quatro cantos, com uma agradável sensação de bem-estar por estar fazendo o que gosto, como gosto, com propósitos que acredito e sendo reconhecido, valorizado. Sabe, meu filho, embora esses quatro aspectos ("o que", "como", "finalidade" e "contrapartida") sejam naturalmente almejados por todos, infelizmente não é algo comum de as pessoas encontrarem todos juntos. E penso que só quando todos esses fatores estão presentes é que se pode dizer que "o trabalho dignifica o Homem"... Sou mesmo um afortunado!
No sábado, fomos tirar umas fotos de sua mãe com o barrigão, tendo como fundo o Jardim Botânico. Ela ficou bem linda... depois mostro pra você. Ainda vamos fazer uma sessão em estúdio por esses dias. Tudo na ânsia de deixar registrado esses momentos tão especiais da sua gestação.
Antes do momento "top model" de sua mãe , a minha mãe (sua obatyan) me pediu que cortasse uns galhos de árvore do quintal dela. Com o "bom humor" que lhe é característico, pediu-me uma vez que "já havia pedido ao meu pai (seu odityan) várias e várias vezes". Então lá fui eu.
Não tinha nada de difícil e fui com todo o meu vigor. O "servicinho" tava rendendo... 20 minutos e já estava quase concluído... Até que tive que fazer uma parada. No topo de um dos galhos que já estava praticamente podado (preso por poucos centímetros ainda à árvore), encontrei um ninho de passarinho meio que camuflado em meio a folhas e outros galhos. Estiquei os olhos e vi... embora tivesse feito uma enorme bagunça, cortando galhos e mais galhos e balançando tudo, a "mãe passarinho" permaneceu no ninho sob seus ovos, firme e forte. Nem a minha presença mais próxima a provocou a fugir. Ficou ela lá... sem dizer nenhuma palavra, mas absolutamente firme em seus propósitos.
Bem, meu filho, levei mais quase 1 hora em uma operação para deixá-la (a mãe, sua casa e seus filhotes) em paz e em segurança... O final do meu serviço vai ficar para depois que ela (a mãe passarinho) quiser.
É, Yuki, nós humanos, temos muito mesmo a aprender de "humanidade"... até mesmo com "não-humanos".
Amo você!!!
Seu pai.
Ontem foi seu aniversário de 35 semanas. Em mais 3 a 5 semanas, teremos o nosso primeiro encontro. Não sei quanto a você, mas estou bastante ansioso. Não vejo a hora de poder olhar para você e me apresentar...
Enquanto isso, continuamos ainda em fase de discussão sobre o seu nome completo... temos (sua mãe, sua obatyan, seu odityan e sua tia) algumas propostas, mas ainda seguimos sem uma definição. Seja como for, o certo é que você será "Yuki" que em japonês quer dizer "coragem" e assim será chamado. Espero que você goste tanto do seu nome quanto eu gosto do meu, uma vez que ambos os nomes (Yuki e Tikara) carregam consigo um significado muito mais profundo do que a simples tradução literal.
Bem, mas deixa eu te contar como foi essa semana que passou...
Filho, tenho me esforçado bastante no trabalho. Tudo por lá foi bastante corrido, mas também muito proveitoso e agradável. Seguindo uma orientação que ouço desde criança, tenho me esforçado por três no trabalho, procurando me tornar uma pessoa indispensável. Para ser bem sincero, antes de saber de você não levava as coisas desse jeito. Não que não levasse o trabalho a sério, mas agora estou levando mais seriamente a lição recebida. Filho, mas quando falo em "seriedade" não quer dizer que estou vivendo para trabalhar, que o trabalho seja um fardo ou que vá trabalhar carrancudo. Acredito que a seriedade está mais relacionada com os princípios e propósitos do que com trabalho em si. Então, atualmente, procuro fazer do trabalho mais uma ferramenta para gerar felicidade. Assim, pergunte para a sua mãe, volta e meia chego em casa cantarolando aos quatro cantos, com uma agradável sensação de bem-estar por estar fazendo o que gosto, como gosto, com propósitos que acredito e sendo reconhecido, valorizado. Sabe, meu filho, embora esses quatro aspectos ("o que", "como", "finalidade" e "contrapartida") sejam naturalmente almejados por todos, infelizmente não é algo comum de as pessoas encontrarem todos juntos. E penso que só quando todos esses fatores estão presentes é que se pode dizer que "o trabalho dignifica o Homem"... Sou mesmo um afortunado!
No sábado, fomos tirar umas fotos de sua mãe com o barrigão, tendo como fundo o Jardim Botânico. Ela ficou bem linda... depois mostro pra você. Ainda vamos fazer uma sessão em estúdio por esses dias. Tudo na ânsia de deixar registrado esses momentos tão especiais da sua gestação.
Antes do momento "top model" de sua mãe , a minha mãe (sua obatyan) me pediu que cortasse uns galhos de árvore do quintal dela. Com o "bom humor" que lhe é característico, pediu-me uma vez que "já havia pedido ao meu pai (seu odityan) várias e várias vezes". Então lá fui eu.
Não tinha nada de difícil e fui com todo o meu vigor. O "servicinho" tava rendendo... 20 minutos e já estava quase concluído... Até que tive que fazer uma parada. No topo de um dos galhos que já estava praticamente podado (preso por poucos centímetros ainda à árvore), encontrei um ninho de passarinho meio que camuflado em meio a folhas e outros galhos. Estiquei os olhos e vi... embora tivesse feito uma enorme bagunça, cortando galhos e mais galhos e balançando tudo, a "mãe passarinho" permaneceu no ninho sob seus ovos, firme e forte. Nem a minha presença mais próxima a provocou a fugir. Ficou ela lá... sem dizer nenhuma palavra, mas absolutamente firme em seus propósitos.
Bem, meu filho, levei mais quase 1 hora em uma operação para deixá-la (a mãe, sua casa e seus filhotes) em paz e em segurança... O final do meu serviço vai ficar para depois que ela (a mãe passarinho) quiser.
É, Yuki, nós humanos, temos muito mesmo a aprender de "humanidade"... até mesmo com "não-humanos".
Amo você!!!
Seu pai.
domingo, 28 de agosto de 2011
34 semanas!
Êêêêê, filho meu,
34 semanas, hein! Está chegando a hora...
Você está agora com 2,2 Kg e medindo 42 cm. Caramba, você já tem quase meio metro de altura... mais um e você quase passa a sua mãe huahuahuahauhua.
Seguimos, aqui do lado de fora, firmes nos preparativos para receber você e também cuidando para que essa reta final de seu período gestacional continue indo bem. Sua mãe já não apresenta mais nenhum sinal de infecção (o que causou a internação de vocês dois semanas atrás) e está cada vez mais radiante. Confirmando o que eu já dizia há muito tempo, a constatação: não existe mulher mais linda do que a grávida!
Na semana que passou fomos novamente fazer uma ecografia e mais uma vez curtimos juntos a emoção de ver você e ouvir o seu coração. Ficamos surpresos com as suas novas medidas... tudo normal, mas sabe como é né, somos pais de primeira viagem... Aliás, essas 34 semanas têm sido realmente como uma fantástica viagem, repleta de descobertas e novas sensações. Jamais vou me esquecer de cada momento.
Ontem fomos ao cinema assistir a estréia do filme "Planeta dos Macacos - a origem". Sua mãe e eu gostamos, apesar do filme não ser daqueles de rir. Ao contrário, é daqueles que nos fazem pensar sobre a estranha natureza humana... É, meu filho, bem esquisitinha essa nossa espécie...
De toda a forma, foi um programinha legal. Fizemos umas comprinhas, olhamos vitrines (especialmente às de lojas para bebês), comemos pipoca, assistimos um filminho e jantamos muito bem.
Filhão, estamos curtindo muito cada momento com você... Sua companhia torna cada coisa que fazemos muito mais significativa. Depois que você se apresentar ao mundo em carne e osso, acredito que tudo será ainda mais especial.
Hoje vou ficando por aqui. Amanhã, em pleno domingão, ainda vou trabalhar. Mas sem lamentações. Vou feliz da vida porque estou cuidando do nosso futuro.
Beijos,
Seu pai.
34 semanas, hein! Está chegando a hora...
Você está agora com 2,2 Kg e medindo 42 cm. Caramba, você já tem quase meio metro de altura... mais um e você quase passa a sua mãe huahuahuahauhua.
Seguimos, aqui do lado de fora, firmes nos preparativos para receber você e também cuidando para que essa reta final de seu período gestacional continue indo bem. Sua mãe já não apresenta mais nenhum sinal de infecção (o que causou a internação de vocês dois semanas atrás) e está cada vez mais radiante. Confirmando o que eu já dizia há muito tempo, a constatação: não existe mulher mais linda do que a grávida!
Na semana que passou fomos novamente fazer uma ecografia e mais uma vez curtimos juntos a emoção de ver você e ouvir o seu coração. Ficamos surpresos com as suas novas medidas... tudo normal, mas sabe como é né, somos pais de primeira viagem... Aliás, essas 34 semanas têm sido realmente como uma fantástica viagem, repleta de descobertas e novas sensações. Jamais vou me esquecer de cada momento.
Ontem fomos ao cinema assistir a estréia do filme "Planeta dos Macacos - a origem". Sua mãe e eu gostamos, apesar do filme não ser daqueles de rir. Ao contrário, é daqueles que nos fazem pensar sobre a estranha natureza humana... É, meu filho, bem esquisitinha essa nossa espécie...
De toda a forma, foi um programinha legal. Fizemos umas comprinhas, olhamos vitrines (especialmente às de lojas para bebês), comemos pipoca, assistimos um filminho e jantamos muito bem.
Filhão, estamos curtindo muito cada momento com você... Sua companhia torna cada coisa que fazemos muito mais significativa. Depois que você se apresentar ao mundo em carne e osso, acredito que tudo será ainda mais especial.
Hoje vou ficando por aqui. Amanhã, em pleno domingão, ainda vou trabalhar. Mas sem lamentações. Vou feliz da vida porque estou cuidando do nosso futuro.
Beijos,
Seu pai.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
FDS
Querido Yuki,
32 semanas! Que maravilhoso tem sido poder acompanhar o seu desenvolvimento dia-a-dia. Sinto-me cada vez mais feliz por poder ser seu pai. A sensação é tão sublime, tão intensa, que todos os dias tenho a impressão de que alcançou o seu limite máximo... mas aí vem o dia seguinte e sou agradavelmente desmentido. Mais maravilhoso ainda é sentir que será assim, dia após dia, eternamente.
Sexta-feira, logo de manhã, fomos buscar a sua avó Elza na rodoviária. Ela trouxe mais um montão de coisinhas pra você. É, meu filho, não vai ter como evitar... você será sempre coberto de muito carinho mesmo. Não se permita, contudo, tornar-se uma pessoa mimada, tá bom? Penso que o mais sábio é utilizar todas as coisas - boas ou ruins - como causa para o seu auto-aprimoramento. Utilizar todo esse carinho das pessoas para o seu enfraquecimento como ser humano seria como transformar remédio em veneno.
Um pouco antes do almoço, fomos para mais uma consulta pré-natal. Tudo indo bem, mas sua mãe terá que readequar a alimentação. Por recomendação médica, sua mãe vai ter uma dieta mais rica em ferro. Prepare-se então, meu filho, vocês irão comer muita carne vermelha, feijão etc. até o seu nascimento.
A noite, celebramos o aniversário da sua obatyan. Foi bem legal. Uma comilança só.
O sábado foi reservado para um ritual feminino (ou feminista, sei lá rsrs): o chá de fraldas. A Patrícia e a Suellem prepararam tudo com muito carinho e a mulherada - todas bem próximas de nós - compareceram em peso para a primeira festinha em sua homenagem. Filhão, quantas fraldas... acho que durante um bom tempo não vamos precisar nos preocupar com isso...
Embora quisesse muito, não estive presente na festa. Mas, como era um momento importante para você e a sua mãe, dei meu jeitinho de participar: fiz as lembrancinhas!
Já o domingo foi especial para mim: meu primeiro Dia dos Pais! Uhú!!! Bem bacana, gostei! A família toda se reuniu e fizemos um almoço daqueles!
Sabe, meu filho, em diversos momentos me peguei olhando pro nada... Ficava o tempo todo imaginando que o próximo Dia dos Pais será ainda mais especial pois passarei o domingo inteiro grudado em você. Vixi, só de imaginar, meu coração quase sai pela boca. Esse realmente será o maior presente de todos!
Aliás, acho bom mesmo que você saiba disso e nunca se esqueça desse meu sentimento. Sabia que o Dia dos Pais é apenas a 5ª data, por exemplo, em relação ao comércio? Perde, obviamente para o Dia das Mães... mas também fica atrás do Dia dos Namorados e outras datas. Fiquei "de cara" quando vi essa informação na TV. Tá certo que a questão comercial não serve como um parâmetro absoluto, mas é inegável tirarmos algumas conclusões, não é mesmo?
Bem, assim foi esse nosso agitado final de semana. Agenda bem legal com pessoas muito especiais em nossas vidas.
Mesmo em meio a tantos eventos, a parte que mais gostei aconteceu na madrugada de sábado para domingo. Sua mãe - que nos últimos tempos tem tido insônia (normal, segundo a médica) - acordou lá pelas 2h e ficamos conversando até lá pelas 4h30. Como sempre, conversamos sobre todas as coisas, demos muitas risadas e brincamos muito com você. Eu ia passando a mão na barriga da sua mãe (que aliás, cresceu 5 cm nesse último mês e está cada vez mais linda) e você ia acompanhando cada movimento meu. Muito emocionante!
Sabe, meu filho, a felicidade está mesmo em cada momento e depende exclusivamente do como vivemos e apreciamos cada fato, cada episódio... enfim, do significado que damos as coisas. Ela pode ser sentida no carinho das pessoas distantes, no encontro com os amigos, na reunião familiar, num simples diálogo entre um casal ou na brincadeira com o filho na barriga da mãe... Ocorre que, indiscutivelmente, a felicidade é gerada por nós mesmos: brota em nosso coração e tem o irresistível poder de transformar o ambiente em que estamos.
Amo você cada vez mais!
Seu pai.
32 semanas! Que maravilhoso tem sido poder acompanhar o seu desenvolvimento dia-a-dia. Sinto-me cada vez mais feliz por poder ser seu pai. A sensação é tão sublime, tão intensa, que todos os dias tenho a impressão de que alcançou o seu limite máximo... mas aí vem o dia seguinte e sou agradavelmente desmentido. Mais maravilhoso ainda é sentir que será assim, dia após dia, eternamente.
Sexta-feira, logo de manhã, fomos buscar a sua avó Elza na rodoviária. Ela trouxe mais um montão de coisinhas pra você. É, meu filho, não vai ter como evitar... você será sempre coberto de muito carinho mesmo. Não se permita, contudo, tornar-se uma pessoa mimada, tá bom? Penso que o mais sábio é utilizar todas as coisas - boas ou ruins - como causa para o seu auto-aprimoramento. Utilizar todo esse carinho das pessoas para o seu enfraquecimento como ser humano seria como transformar remédio em veneno.
Um pouco antes do almoço, fomos para mais uma consulta pré-natal. Tudo indo bem, mas sua mãe terá que readequar a alimentação. Por recomendação médica, sua mãe vai ter uma dieta mais rica em ferro. Prepare-se então, meu filho, vocês irão comer muita carne vermelha, feijão etc. até o seu nascimento.
A noite, celebramos o aniversário da sua obatyan. Foi bem legal. Uma comilança só.
O sábado foi reservado para um ritual feminino (ou feminista, sei lá rsrs): o chá de fraldas. A Patrícia e a Suellem prepararam tudo com muito carinho e a mulherada - todas bem próximas de nós - compareceram em peso para a primeira festinha em sua homenagem. Filhão, quantas fraldas... acho que durante um bom tempo não vamos precisar nos preocupar com isso...
Embora quisesse muito, não estive presente na festa. Mas, como era um momento importante para você e a sua mãe, dei meu jeitinho de participar: fiz as lembrancinhas!
Já o domingo foi especial para mim: meu primeiro Dia dos Pais! Uhú!!! Bem bacana, gostei! A família toda se reuniu e fizemos um almoço daqueles!
Sabe, meu filho, em diversos momentos me peguei olhando pro nada... Ficava o tempo todo imaginando que o próximo Dia dos Pais será ainda mais especial pois passarei o domingo inteiro grudado em você. Vixi, só de imaginar, meu coração quase sai pela boca. Esse realmente será o maior presente de todos!
Aliás, acho bom mesmo que você saiba disso e nunca se esqueça desse meu sentimento. Sabia que o Dia dos Pais é apenas a 5ª data, por exemplo, em relação ao comércio? Perde, obviamente para o Dia das Mães... mas também fica atrás do Dia dos Namorados e outras datas. Fiquei "de cara" quando vi essa informação na TV. Tá certo que a questão comercial não serve como um parâmetro absoluto, mas é inegável tirarmos algumas conclusões, não é mesmo?
Bem, assim foi esse nosso agitado final de semana. Agenda bem legal com pessoas muito especiais em nossas vidas.
Mesmo em meio a tantos eventos, a parte que mais gostei aconteceu na madrugada de sábado para domingo. Sua mãe - que nos últimos tempos tem tido insônia (normal, segundo a médica) - acordou lá pelas 2h e ficamos conversando até lá pelas 4h30. Como sempre, conversamos sobre todas as coisas, demos muitas risadas e brincamos muito com você. Eu ia passando a mão na barriga da sua mãe (que aliás, cresceu 5 cm nesse último mês e está cada vez mais linda) e você ia acompanhando cada movimento meu. Muito emocionante!
Sabe, meu filho, a felicidade está mesmo em cada momento e depende exclusivamente do como vivemos e apreciamos cada fato, cada episódio... enfim, do significado que damos as coisas. Ela pode ser sentida no carinho das pessoas distantes, no encontro com os amigos, na reunião familiar, num simples diálogo entre um casal ou na brincadeira com o filho na barriga da mãe... Ocorre que, indiscutivelmente, a felicidade é gerada por nós mesmos: brota em nosso coração e tem o irresistível poder de transformar o ambiente em que estamos.
Amo você cada vez mais!
Seu pai.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Mais vivo por ser pai
Querido Yuki,
29 semanas e 3 dias. Só mesmo pais em período gestacional para contar o tempo dessa maneira... Você continua se desenvolvendo muito bem e, a cada dia, mexe-se mais na barriga de sua mamãe.
Muito legal sentir você, especialmente a noite quando o mundo parece se silenciar para que nós possamos brincar. Não sei aí dentro, mas aqui fora damos gargalhadas com as brincadeiras. Aliás, sua mãe e eu somos bons nesse negócio de gargalhar, hein... acho que você também será... Sua mãe, então, é imbatível nos solos de gargalhadas. Ela é daquelas que, por exemplo, no cinema, fica rindo alto até muito tempo depois da tal cena engraçada ter passado. Sempre tenho que contê-la para que os demais expectadores possam continuar assistindo o filme... impressionante! (rsrsrs)
Mas mudando de assunto, esses dias estava conversando com meu chefe sobre as questões relativas à paternidade. Como os filhos dele já são adultos, cada episódio que ele compartilhou comigo era carregado de uma saborosa nostalgia. Em certa altura de nossa conversa, ele me confidenciou: "Ter filhos foi, sem dúvida, a melhor coisa que me aconteceu. Sinto-me mais vivo e realizado quando penso que sou pai." Puxa vida, pensei, é exatamente isso o que eu já sinto! Imagino então como será quando você nascer...
É quase que um ditado popular o seguinte pensamento: "Os filhos tornam os pais pessoas melhores". Particularmente, discordo. Fosse assim tão automático, o mundo já seria bem diferente hoje. Penso que o que torna as pessoas (pais ou não) melhores são elas mesmas e se assim desejarem. Pois bem, eu desejo. Desejo e procuro tornar isso real em cada ação desde que soube de você. A diferença aqui está no fato de que desejo a cada dia ser melhor não por causa de você, mas para você e para o mundo.
Faltam agora poucas semanas para o seu nascimento. Sua mãe e eu estamos super ansiosos e felizes. Mas, esperamos que você não tenha pressa e espere o tempo mais adequado chegar, o que deverá ser no início de outubro.
Ao acompanhar vocês naqueles dias de internamento e viver tudo aquilo, tomei uma decisão. Quero sim assistir e acompanhar todo o parto. Quero estar ao lado de sua mãe o tempo inteiro e quero ver você chegar ao mundo. Quero ser o primeiro a te pegar no colo e levá-lo para pertinho de sua mãe. Antes daquele episódio, pensava radicalmente diferente. O que me fez mudar de idéia foi perceber que nesse importante momento, o menos importante é o que me é mais confortável ou agradável. O que quero demonstrar é que estarei, eterna e incondicionalmente, ao lado de vocês.
Amo você, meu filho!
Seu pai.
29 semanas e 3 dias. Só mesmo pais em período gestacional para contar o tempo dessa maneira... Você continua se desenvolvendo muito bem e, a cada dia, mexe-se mais na barriga de sua mamãe.
Muito legal sentir você, especialmente a noite quando o mundo parece se silenciar para que nós possamos brincar. Não sei aí dentro, mas aqui fora damos gargalhadas com as brincadeiras. Aliás, sua mãe e eu somos bons nesse negócio de gargalhar, hein... acho que você também será... Sua mãe, então, é imbatível nos solos de gargalhadas. Ela é daquelas que, por exemplo, no cinema, fica rindo alto até muito tempo depois da tal cena engraçada ter passado. Sempre tenho que contê-la para que os demais expectadores possam continuar assistindo o filme... impressionante! (rsrsrs)
Mas mudando de assunto, esses dias estava conversando com meu chefe sobre as questões relativas à paternidade. Como os filhos dele já são adultos, cada episódio que ele compartilhou comigo era carregado de uma saborosa nostalgia. Em certa altura de nossa conversa, ele me confidenciou: "Ter filhos foi, sem dúvida, a melhor coisa que me aconteceu. Sinto-me mais vivo e realizado quando penso que sou pai." Puxa vida, pensei, é exatamente isso o que eu já sinto! Imagino então como será quando você nascer...
É quase que um ditado popular o seguinte pensamento: "Os filhos tornam os pais pessoas melhores". Particularmente, discordo. Fosse assim tão automático, o mundo já seria bem diferente hoje. Penso que o que torna as pessoas (pais ou não) melhores são elas mesmas e se assim desejarem. Pois bem, eu desejo. Desejo e procuro tornar isso real em cada ação desde que soube de você. A diferença aqui está no fato de que desejo a cada dia ser melhor não por causa de você, mas para você e para o mundo.
Faltam agora poucas semanas para o seu nascimento. Sua mãe e eu estamos super ansiosos e felizes. Mas, esperamos que você não tenha pressa e espere o tempo mais adequado chegar, o que deverá ser no início de outubro.
Ao acompanhar vocês naqueles dias de internamento e viver tudo aquilo, tomei uma decisão. Quero sim assistir e acompanhar todo o parto. Quero estar ao lado de sua mãe o tempo inteiro e quero ver você chegar ao mundo. Quero ser o primeiro a te pegar no colo e levá-lo para pertinho de sua mãe. Antes daquele episódio, pensava radicalmente diferente. O que me fez mudar de idéia foi perceber que nesse importante momento, o menos importante é o que me é mais confortável ou agradável. O que quero demonstrar é que estarei, eterna e incondicionalmente, ao lado de vocês.
Amo você, meu filho!
Seu pai.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Sustinho!
Querido Yuki,
Muita apreensão nos últimos dias... A sensação é aquela em que o peito fica apertado e o coração inquieto, meio que querendo pular pela boca.
Na sexta-feira (08) fomos novamente à médica. Com você, tudo, em princípio, ocorrendo normalmente, mas a sua mãe se queixou sobre uma certa ardência no momento de urinar. A médica, então, solicitou a realização de exames de urina.
No sábado pela manhã, o primeiro susto. Fui acordado com a sua mãe gritando de dor... Que aflição, meu filho! Saímos em disparada para algum hospital. O mais próximo, público. Optamos ir nesse por ficar a apenas 5 minutos de casa e por ser especializado no atendimento à gestante - dito "referência no atendimento à gestante". Além disso, como a intenção era de que sua mãe fosse atendida com a maior rapidez possível, achamos (sua mãe e eu) que essa seria a alternativa mais inteligente...
Fomos até bem recepcionados. A recepcionista, muito simpática, e a enfermeira, cheia de boas intenções... O único problema é que havia apenas uma médica de plantão e que estava em meio a um parto... Uma única médica!
Aguardamos ainda por algum tempo, mas percebemos que aquele bebê que estava nascendo talvez conseguisse tirar a carteira de habilitação antes de sua mãe ser atendida. Bem, foi assim que rumamos para o hospital em que você irá nascer. Aí, vieram dois sentimentos antagônicos. Senti-me contente porque o atendimento lá foi imediato. Digamos que o hospital foi aprovado com louvor em nosso teste. Devo dizer, contudo, que me senti triste ao constatar tamanha diferença de estrutura entre o que é público e o privado. Definitivamente, sem comparações. Confesso que tinha alguma esperança mas, ao menos no presente, ela - a esperança- morreu de algum "mal súbito", antes de receber o atendimento de direito, bem em frente à recepcionista.
Bem, mas voltando ao hospital privado, sua mãe (e você) foi internada por algumas horas para receber a medicação. A dor passou e fomos para casa.
Sábado a noite, sua mãe apresentou febre. Passamos o domingo todo com a sua mãe alternando momentos de melhora e piora.
Na segunda pela manhã, levei o exame de sua mãe para o laboratório. O resultado, porém só sairia na quinta-feira. Durante o restante do dia, ora sua mãe ficava bem, ora piorava. Sentia dores e também apresentava febre.
Na terça-feira, logo cedo, voltamos ao hospital. Após alguns exames clínicos, a notícia: seria necessário o imediato internamento. E, dessa vez, vocês não ficariam apenas algumas horas, mas dias. "Puxa vida, dias?", pensei. Senti como se meu coração tivesse ficado bem pequenininho. Não era dor, mas um forte desconforto tomou conta de meu peito.
Deixar sua mãe e você internados, meu filho, não me foi nada fácil. Queria tirar tudo de ruim que ela estava sentindo... queria poder trocar de lugar com ela. Como não tenho esse poder, procurei me concentrar no fato de que, racionalmente, seria o melhor a se fazer pois, no hospital, sua mãe receberia todos os cuidados médicos necessários e você estaria seguro. A essa altura, o cérebro já havia absorvido e processado a informação... o restante do corpo, contudo, continuava angustiado. Acho que com toda aquela correria, o cérebro esqueceu de passar a informação ao coração porque ele ainda não estava nada bem. Ou, talvez tenha até passado a informação mas, definitivamente, seus argumentos racionais não foram suficientes para fazê-lo se aquietar.
Para sua mãe, tratei de botar um sorrisinho no rosto (o melhor que consegui arrumar assim de repente) e tentei passar tranquilidade, enchendo-a de todos os argumentos racionais.
Filho meu, foram 4 looooooongos dias. Fiquei ao lado de vocês o máximo de tempo que consegui. E, do lado de fora, procurar tomar todas as providências para que vocês - especialmente a sua mãe - ficassem tranquilos e seguros. Sua mãe, mesmo naquelas circunstâncias, ainda demonstrou preocupação com seus compromissos acadêmicos e profissionais. Assim, procurei ajudá-la em tudo, suplicando para que se concentrasse apenas em ficar bem.
A primeira grande notícia que recebemos foi a de que com você estava tudo bem. Assim, só restávamos aguardar que a sua mãe se recuperasse logo. Você não vai se lembrar, mas contei a você tudo o que estava acontecendo, pedi que continuasse bem e que, no que pudesse, ajudasse a sua mãe a ficar tranquilinha.
Cada um dos 4 dias foi incrivelmente longo e intenso para mim. Ainda assim, não me permiti perder a alegria em cada coisa que fiz. Infelizmente, não foi possível passar as noites com vocês. Então, na solidão da madrugada, como a adrenalina não me deixava dormir, orei pela sua saúde, pela mais breve recuperação de sua mãe e para eu ter ainda mais força e coragem nos desafios que estava enfrentando naqueles dias. Orei, com ainda mais intensidade que de costume, pela felicidade de todas as pessoas do mundo e pela construção de uma sociedade pacífica, civilizada, justa e repleta de humanismo.
Enfim, chegou sexta-feira (15). Logo cedo, recebemos a notícia de que vocês teriam alta. Foi uma correria só (rsrsrs). Um dia desses sua mãe pode lhe contar das minhas aventuras para "livrar" vocês (rsrsrs) do hospital. Além disso, dei um "trato" no quarto para que vocês se sentissem bem acolhidos no tão aguardado retorno.
Filho meu, como foi boa a sensação de buscar vocês e trazê-los para casa sãos e salvos. Uma vitória que, especialmente em cada detalhe, certamente ficará gravada eternamente em nossas vidas.
"Companheirismo"... Palavra comprida e de significado muito profundo. Para ser vivida, verdadeiramente, há que se romper diversas barreiras, especialmente àquela interior: do egoísmo, do egocentrismo. Ser um verdadeiro companheiro(a) de alguém vai muito além do que o dicionário nos conta. Para mim, "companheirismo é amor incondicional ao outro". E, nas palavras-chave - "incondicional" e "ao outro" - o desafio a ser perseguido.
A parte do "ao outro", parece bem simples, mas não é. Isso porque o ser humano tem a tendência - até mesmo instintiva - de se colocar antes do outro. Por sua vez, é no "incondicional" que o "bicho pega" ainda mais. Embora não gostemos de admitir, é também nossa tendência impor uma série de condições para que alguém seja honrosamente agraciado com o nosso afeto. Sempre somos mais "especiais" que alguém.
Seja como for, penso que está aí uma causa que vale a pena se dedicar: tornar-se um digno e verdadeiro companheiro do máximo número de pessoas. Se você conseguir ser companheiro de uma única pessoa, porém, já será um grande legado de sua existência.
Como é bom ter vocês em casa de novo!
Amo você!
Abração bem forte,
Seu pai
Muita apreensão nos últimos dias... A sensação é aquela em que o peito fica apertado e o coração inquieto, meio que querendo pular pela boca.
Na sexta-feira (08) fomos novamente à médica. Com você, tudo, em princípio, ocorrendo normalmente, mas a sua mãe se queixou sobre uma certa ardência no momento de urinar. A médica, então, solicitou a realização de exames de urina.
No sábado pela manhã, o primeiro susto. Fui acordado com a sua mãe gritando de dor... Que aflição, meu filho! Saímos em disparada para algum hospital. O mais próximo, público. Optamos ir nesse por ficar a apenas 5 minutos de casa e por ser especializado no atendimento à gestante - dito "referência no atendimento à gestante". Além disso, como a intenção era de que sua mãe fosse atendida com a maior rapidez possível, achamos (sua mãe e eu) que essa seria a alternativa mais inteligente...
Fomos até bem recepcionados. A recepcionista, muito simpática, e a enfermeira, cheia de boas intenções... O único problema é que havia apenas uma médica de plantão e que estava em meio a um parto... Uma única médica!
Aguardamos ainda por algum tempo, mas percebemos que aquele bebê que estava nascendo talvez conseguisse tirar a carteira de habilitação antes de sua mãe ser atendida. Bem, foi assim que rumamos para o hospital em que você irá nascer. Aí, vieram dois sentimentos antagônicos. Senti-me contente porque o atendimento lá foi imediato. Digamos que o hospital foi aprovado com louvor em nosso teste. Devo dizer, contudo, que me senti triste ao constatar tamanha diferença de estrutura entre o que é público e o privado. Definitivamente, sem comparações. Confesso que tinha alguma esperança mas, ao menos no presente, ela - a esperança- morreu de algum "mal súbito", antes de receber o atendimento de direito, bem em frente à recepcionista.
Bem, mas voltando ao hospital privado, sua mãe (e você) foi internada por algumas horas para receber a medicação. A dor passou e fomos para casa.
Sábado a noite, sua mãe apresentou febre. Passamos o domingo todo com a sua mãe alternando momentos de melhora e piora.
Na segunda pela manhã, levei o exame de sua mãe para o laboratório. O resultado, porém só sairia na quinta-feira. Durante o restante do dia, ora sua mãe ficava bem, ora piorava. Sentia dores e também apresentava febre.
Na terça-feira, logo cedo, voltamos ao hospital. Após alguns exames clínicos, a notícia: seria necessário o imediato internamento. E, dessa vez, vocês não ficariam apenas algumas horas, mas dias. "Puxa vida, dias?", pensei. Senti como se meu coração tivesse ficado bem pequenininho. Não era dor, mas um forte desconforto tomou conta de meu peito.
Deixar sua mãe e você internados, meu filho, não me foi nada fácil. Queria tirar tudo de ruim que ela estava sentindo... queria poder trocar de lugar com ela. Como não tenho esse poder, procurei me concentrar no fato de que, racionalmente, seria o melhor a se fazer pois, no hospital, sua mãe receberia todos os cuidados médicos necessários e você estaria seguro. A essa altura, o cérebro já havia absorvido e processado a informação... o restante do corpo, contudo, continuava angustiado. Acho que com toda aquela correria, o cérebro esqueceu de passar a informação ao coração porque ele ainda não estava nada bem. Ou, talvez tenha até passado a informação mas, definitivamente, seus argumentos racionais não foram suficientes para fazê-lo se aquietar.
Para sua mãe, tratei de botar um sorrisinho no rosto (o melhor que consegui arrumar assim de repente) e tentei passar tranquilidade, enchendo-a de todos os argumentos racionais.
Filho meu, foram 4 looooooongos dias. Fiquei ao lado de vocês o máximo de tempo que consegui. E, do lado de fora, procurar tomar todas as providências para que vocês - especialmente a sua mãe - ficassem tranquilos e seguros. Sua mãe, mesmo naquelas circunstâncias, ainda demonstrou preocupação com seus compromissos acadêmicos e profissionais. Assim, procurei ajudá-la em tudo, suplicando para que se concentrasse apenas em ficar bem.
A primeira grande notícia que recebemos foi a de que com você estava tudo bem. Assim, só restávamos aguardar que a sua mãe se recuperasse logo. Você não vai se lembrar, mas contei a você tudo o que estava acontecendo, pedi que continuasse bem e que, no que pudesse, ajudasse a sua mãe a ficar tranquilinha.
Cada um dos 4 dias foi incrivelmente longo e intenso para mim. Ainda assim, não me permiti perder a alegria em cada coisa que fiz. Infelizmente, não foi possível passar as noites com vocês. Então, na solidão da madrugada, como a adrenalina não me deixava dormir, orei pela sua saúde, pela mais breve recuperação de sua mãe e para eu ter ainda mais força e coragem nos desafios que estava enfrentando naqueles dias. Orei, com ainda mais intensidade que de costume, pela felicidade de todas as pessoas do mundo e pela construção de uma sociedade pacífica, civilizada, justa e repleta de humanismo.
Enfim, chegou sexta-feira (15). Logo cedo, recebemos a notícia de que vocês teriam alta. Foi uma correria só (rsrsrs). Um dia desses sua mãe pode lhe contar das minhas aventuras para "livrar" vocês (rsrsrs) do hospital. Além disso, dei um "trato" no quarto para que vocês se sentissem bem acolhidos no tão aguardado retorno.
Filho meu, como foi boa a sensação de buscar vocês e trazê-los para casa sãos e salvos. Uma vitória que, especialmente em cada detalhe, certamente ficará gravada eternamente em nossas vidas.
"Companheirismo"... Palavra comprida e de significado muito profundo. Para ser vivida, verdadeiramente, há que se romper diversas barreiras, especialmente àquela interior: do egoísmo, do egocentrismo. Ser um verdadeiro companheiro(a) de alguém vai muito além do que o dicionário nos conta. Para mim, "companheirismo é amor incondicional ao outro". E, nas palavras-chave - "incondicional" e "ao outro" - o desafio a ser perseguido.
A parte do "ao outro", parece bem simples, mas não é. Isso porque o ser humano tem a tendência - até mesmo instintiva - de se colocar antes do outro. Por sua vez, é no "incondicional" que o "bicho pega" ainda mais. Embora não gostemos de admitir, é também nossa tendência impor uma série de condições para que alguém seja honrosamente agraciado com o nosso afeto. Sempre somos mais "especiais" que alguém.
Seja como for, penso que está aí uma causa que vale a pena se dedicar: tornar-se um digno e verdadeiro companheiro do máximo número de pessoas. Se você conseguir ser companheiro de uma única pessoa, porém, já será um grande legado de sua existência.
Como é bom ter vocês em casa de novo!
Amo você!
Abração bem forte,
Seu pai
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Primeiros Chutes
Quinta-feira, 23 de junho de 2011.
Era por volta das 22h40. Há alguns dias sua mãe já me relatava sentir alguns chutinhos. Ela me chamava correndo para por a mão na barriga dela mas, infelizmente, essa era uma sensação - mais uma - reservada exclusivamente à mamãe. Juro, meu filho, que tentei por diversas e diversas vezes "aguçar" o meu tato, tentando canalizar a minha mente e direcionar toda a atenção às minhas mãos sob a barriga de sua mãe. Em vão. Ficava, contudo, sempre e sempre muito feliz cada vez que a sua mãe compartilhava todas as sensações daqueles momentos. Sabe, meu filho, de um modo geral a inveja não é um sentimento bom. Então, não sei como denominar o que sentia, porque não era nada de ruim não, mas... ah, filhão, pensava eu com meus botões: "como eu gostaria estar no lugar da sua mãe". Se a paternidade no período da gestação já é algo extraordinário, imagino como deva ser a maternidade... Sua mãe é mesmo uma afortunada!
Filho, até aqui meus contatos com você - todos eles - foram sempre por intermédio da tecnologia. Por meio dela, arregalei meus olhos para suas fotos, vibrei com seus movimentos e chorei com o som de seu coração. Então, bendita seja a tecnologia! Hoje, porém, demos um grande e inesquecível passo em nosso relacionamento. Hoje, exatamente quando estava falando todo entusiasmado de você para a sua mãe, ela pegou a minha mão e a pôs sob a sua barriga. Alguns segundos de silêncio e... filho meu, senti você chutar várias e várias vezes!!! Jamais vou esquecer do que senti!!! Obrigadão, meu filho!!!
Numa próxima oportunidade, vou compartilhar exatamente sobre o que eu falava no momento em que você "chutou pra mim", pode ser?
Hoje não. Hoje só gostaria de deixar registrado a minha emoção nesse momento. Puxa vida, que maravilhoso sentir você desse jeito! Meu coração disparou e minhas pernas cambalearam. Ainda bem que estava na cama. Mas a emoção foi tanta que não consegui dormir. Tinha que me levantar e tentar escrever tudo. Mais do que este simples registro, esse momento, sem dúvida alguma, estará eternizado em meu coração.
Mas, não se engane meu filho, isso não é ser piegas. Piegas é um termo empregado quando o sentimento é destinado a coisas pequenas. E, embora você ainda seja bem pequenininho, com certeza esse momento não teve nada de acanhado.
Por fim, acho oportuno compartilhar um ensinamento que tive em minha vida... As coisas por si só não tem um significado absoluto. O significado de cada fato é dado por nós mesmos. Assim, não posso dizer que a paternidade, por si só, tenha a capacidade de fazer pessoas melhores... depende... Depende do pai, do como e do quanto se vive esse papel.
Amo você ainda mais!
Seu pai.
Era por volta das 22h40. Há alguns dias sua mãe já me relatava sentir alguns chutinhos. Ela me chamava correndo para por a mão na barriga dela mas, infelizmente, essa era uma sensação - mais uma - reservada exclusivamente à mamãe. Juro, meu filho, que tentei por diversas e diversas vezes "aguçar" o meu tato, tentando canalizar a minha mente e direcionar toda a atenção às minhas mãos sob a barriga de sua mãe. Em vão. Ficava, contudo, sempre e sempre muito feliz cada vez que a sua mãe compartilhava todas as sensações daqueles momentos. Sabe, meu filho, de um modo geral a inveja não é um sentimento bom. Então, não sei como denominar o que sentia, porque não era nada de ruim não, mas... ah, filhão, pensava eu com meus botões: "como eu gostaria estar no lugar da sua mãe". Se a paternidade no período da gestação já é algo extraordinário, imagino como deva ser a maternidade... Sua mãe é mesmo uma afortunada!
Filho, até aqui meus contatos com você - todos eles - foram sempre por intermédio da tecnologia. Por meio dela, arregalei meus olhos para suas fotos, vibrei com seus movimentos e chorei com o som de seu coração. Então, bendita seja a tecnologia! Hoje, porém, demos um grande e inesquecível passo em nosso relacionamento. Hoje, exatamente quando estava falando todo entusiasmado de você para a sua mãe, ela pegou a minha mão e a pôs sob a sua barriga. Alguns segundos de silêncio e... filho meu, senti você chutar várias e várias vezes!!! Jamais vou esquecer do que senti!!! Obrigadão, meu filho!!!
Numa próxima oportunidade, vou compartilhar exatamente sobre o que eu falava no momento em que você "chutou pra mim", pode ser?
Hoje não. Hoje só gostaria de deixar registrado a minha emoção nesse momento. Puxa vida, que maravilhoso sentir você desse jeito! Meu coração disparou e minhas pernas cambalearam. Ainda bem que estava na cama. Mas a emoção foi tanta que não consegui dormir. Tinha que me levantar e tentar escrever tudo. Mais do que este simples registro, esse momento, sem dúvida alguma, estará eternizado em meu coração.
Mas, não se engane meu filho, isso não é ser piegas. Piegas é um termo empregado quando o sentimento é destinado a coisas pequenas. E, embora você ainda seja bem pequenininho, com certeza esse momento não teve nada de acanhado.
Por fim, acho oportuno compartilhar um ensinamento que tive em minha vida... As coisas por si só não tem um significado absoluto. O significado de cada fato é dado por nós mesmos. Assim, não posso dizer que a paternidade, por si só, tenha a capacidade de fazer pessoas melhores... depende... Depende do pai, do como e do quanto se vive esse papel.
Amo você ainda mais!
Seu pai.
sábado, 18 de junho de 2011
29.640.
Querido Yuki,
Ontem foi dia da “Ecografria Morfológica”! Como diria a sua mãe: “Uhúúú”! Aliás, diria não, ela disse isso mesmo e muito mais.
Filho, você é mesmo im-pres-sio-nan-te! Não quero encher a sua bola não, mas também é bem bonitão, hein! Deve ter puxado... deixa eu pensar... a sua mãe, é claro!
E como você cresceu, meu filhão! Na última vez, você media 6,94 cm e já exibia toda a sua energia! Agora, meu filho, você tem 29 cm e está pesando 640g! Uau! Se continuar nesse ritmo, vai ser jogador de basquete... e pivô! (rsrsrs) Tá bom, talvez eu esteja exagerando um pouquinho... ou muito, quem sabe... é que ver você me empolga muito, então me dê um desconto.
Agora, vou te falar, hein! Você deu um trabalhão para o médico! Explico: esse tal de “ecografia morfológica” é o exame que analisa toda a sua anatomia, além de fazer a sua biometria. Em português mais claro, é como se cada um dos seus estrondosos 29 cm fossem analisados e medidos. E, filho, para o doutor conseguir fazer isso, ele contava com uma certa cooperação sua, o que, digamos assim, não foi muito fácil de se conseguir...
Parecia que você já estava ouvindo e entendendo tudo o que ele dizia. Sério! Tanto é que quando ele dizia “vamos ver a perninha esquerda do bebê”, você logo tratava de escondê-la. Daí ele dizia: “agora vamos ver a perninha direita do bebê... o braço direito, o esquerdo, os pés, as mãos, o nariz, a boca...” enfim, cada pedacinho seu que ele citava, você tratava exata e imediatamente de esconder... Imagino que você deva ter gostado de brincar com ele... reparei um sorrisinho seu, ainda que disfarçado. Se fosse futebol, diria que você deu uma canseira no adversário de tantos “olés” que ele levou... “tadinho” dele, meu filho! Devo dizer, porém, que eu me diverti e muito... e nem precisei disfarçar... dei gargalhadas! Achei que você demonstrou duas coisas que são importantes na vida: muita personalidade e, também, um grande senso de humor. Já quanto ao doutor, meu filho, penso que talvez depois de hoje ele passe a achar que não é muito bem remunerado... huahuahua.
Já a noite, sonhei com você. Normalmente não me lembro do que sonho mas, ainda bastante mexido em te ver por quase uma hora, acordei com a sensação de que tínhamos vivido juntos vários episódios da vida real. Difícil destacar qual eu mais gostei, mas o que mais me marcou foi o último: o dia em que você nasceu. A emoção foi tão forte que quando acordei enxuguei as lágrimas que ainda corriam em meu rosto. Muito forte!
Sabe, meu filho, você ainda nem nasceu e já consegue mexer com a vida das pessoas aqui fora. Eu mesmo me sinto estar renascendo a cada dia desde que soube da sua existência. A cada manhã, acordo com a disposição de me tornar uma pessoa melhor para poder ser um pai digno de um filho como você e também de fazer algo pelo mundo que o aguarda. Esse seu poder de mexer com a vida das pessoas ao seu redor e gerar transformações no ambiente que o cerca, é mesmo fantástico. Por convicção, penso que todo o ser humano tem esse mesmo potencial inato, mas, sinceramente, não sabia que um filho poderia fazer tanto por um pai antes mesmo de nascer.
Obrigado por você existir! E um viva aos seus extraordinários 29 cm e 640 g!!!
Amo você!
Seu pai.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O Som do Coração
Querido Yuki,
Faz algum tempo, fui ao cinema com a sua mãe para assistir um filme chamado “O Som do Coração”. O filme trata do extraordinário poder do som e também fala de amor. Muito emocionante, um dos melhores que já assisti! Lembro que quase dei vexame em público, não conseguindo conter as lágrimas... ainda bem que sua mãe estava lá para me acalmar. Acho que você vai notar ao longo de sua vida que esse seu pai é mesmo um chorão. Mas, tudo bem, porque também não tinha pretensão alguma de lhe esconder meus sentimentos. Isso não quer dizer que me emocione com qualquer coisa... quer dizer que o que sinto é sempre exacerbadamente “sentido”. Sou absoluta e até absurdamente passional e emotivo, confesso. Sua mãe, por sua vez, é bem mais racional e equilibrada. Ainda bem, né?! Essa combinação tem feito bem ao nosso casamento e assim também você terá a oportunidade de ter contato com esses dois mundos tão diferentes, mas que se complementam.
Lembrei desse filme e das emoções que senti naquele dia, porque anteontem fomos nós três (sua mãe, você e eu) à obstetra novamente para a já tradicional consulta pré-natal mensal. Após os cumprimentos e as perguntas de praxe, a médica foi com a sua mãe para a maca, atrás de um biombo. Eu fiquei sentado, aguardando, cego, mas de orelhas esticadas. Acho que eu parecia um daqueles cachorros que têm suas orelhas mutiladas pelos donos, só para deixá-las, por questões estéticas, em pé.
Então, veio o momento mais aguardado da consulta... “Vamos escutar o coração do bebê?”, disse a médica. “Oba”, pensei eu. Filho meu, que batucada maravilhosa! Seu coração bate forte, rítmico, vigoroso... Definitivamente, é o som mais bonito, tocante e espetacular que já ouvi na minha vida. Nas consultas e exames anteriores já o tinha escutado, mas a emoção é sempre como a de uma estréia. É algo indescritível mesmo, não só pela minha incapacidade de descrever. Tenho certeza que você só terá idéia da emoção quando for a sua vez... quando for você que estiver lá sentado naquela cadeira.
Ainda não sei o que você vai achar de ser meu filho, mas eu já estou achando o máximo ser seu pai. Obrigado pela oportunidade!
A personagem principal do filme que citei é um menino que foi afastado dos pais por força das circunstâncias. Seu destino parecia já estar irremediavelmente traçado. Mas, ele não se contentou com aquilo que se previa. Levantou-se resolutamente e desafiou o destino. Venceu.
Não sei se você será um virtuoso da música como aquela personagem. Nem sei o quanto você irá gostar de música. Sequer sei se você irá gostar ou não. Pouco importa. Saiba, contudo, que você tem o poder de transformar a sua vida naquilo que determinar e poderá escrever o seu próprio destino. E, nessa estrada, nos momentos bons ou nas adversidades, jamais esqueça que não estará sozinho.
Por enquanto, o som do seu coração é o único canal que temos de comunicação, ao menos de você aí dentro para nós aqui fora. É o som da sua vida que segue se desenvolvendo. Cada batida sua faz o meu coração quase pular para fora, talvez na ânsia de ir ao encontro do seu. O som do seu coração faz a minha vida vibrar com profunda e inigualável felicidade.
Com amor,
Seu pai.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Paternidade
Querido Yuki,
Hoje se completam 20 semanas de sua gestação. Incrível como o tempo tem passado rápido. Para celebrar, resolvi começar a tentar colocar em palavras tudo o que venho sentindo desde que soube de sua existência. Tarefa bem complicada essa de transformar sentimentos em palavras. Embora não seja um poeta, estou topando o desafio.
Em primeiro lugar, deve saber que você foi muito desejado desde sempre. Um sonho maravilhoso que se tornou realidade.
Ah, para registro: soube de você antes que sua mamãe! Antes mesmo dela ter certeza sobre a gravidez, eu já tinha falado para vários amigos sobre você... Isso, obviamente, não quer dizer que amo você mais do que ela ou qualquer outra coisa nesse sentido... talvez seja o inigualável “instinto paterno”... rsrsrsrs. Estou falando isso porque durante toda a sua vida você vai ouvir muito a sua mãe falar de um tal de “instinto materno”... e aí que eu não queria ficar tão para trás... rsrsrsrs
Aliás, é bem desafiador o meu papel durante a gestação. Sua mãe tem enorme vantagem. Biologicamente, fisicamente, psicologicamente... Estou me esforçando ao máximo para tirar uma casquinha de toda essa enorme transformação que a sua mãe vem sentindo. Mas, é inegável, apesar de meu esforço, sou coadjuvante. Quero, contudo, ser o melhor coadjuvante possível...
Acompanhei sua mãe quando ela foi fazer o teste de gravidez no laboratório. Era dia 17 de fevereiro. E ela estava já dormindo quando me lancei, avidamente, na internet, no site do laboratório, a fim de saber do resultado. Aí, descobri que o resultado não sai com os dizeres “positivo ou negativo para a gravidez”. Coisa complicada. O que sai é apenas uma taxa de hormônios, só para aumentar o suspense.
“>100 mUI/mL”... quem é que entende isso? Só pais médicos tem o direito de saber exata e imediatamente a resposta para a questão? Então, fiz uma pesquisa para saber se a tal taxa era ou não reveladora da gravidez... Filho, como tem coisas inúteis e nada esclarecedoras na Internet... Bem, mas enfim, consegui encontrar os dados que procurava, confirmando que “estávamos” grávidos de você.
Então, fui acordar a sua mãe para dar a notícia... Que máximo!!! Ainda bem que a gravidez se confirmou... pois já tinha falado para meus melhores amigos sobre você... ufa!
Tenho também acompanhado sua mãe nas consultas na obstetra e em todos os exames. Fico atento a todas as informações, na ânsia de querer senti-lo ainda mais. Sabe, minha barriga parece estar crescendo também e de vez em quando sinto alguns enjôos... bem, mas acho que isso tem mais a ver com os misto quentes, brigadeiros, biscoitos que tenho comigo quase que simultaneamente... infelizmente... mas sabe que um dos efeitos da gravidez tem sido a enorme ansiedade...
Agora, emocionante mesmo foi quando te vi pela primeira vez. Era 18 de março. Sua avó de Bauru até veio para te conhecer.
Filho, não imaginava que seria assim. Estava eu sentado. No meu lado esquerdo, a sua avó Elza. No direito, sua mãe deitada na maca. Na minha frente, em uma TV de LCD de 42 polegadas, aguardávamos como que a estréia de um grande filme. Filho, “caracas” (não a capital da Venezuela rsrsrsrs)... aí que de repente você apareceu bem nitidamente... e esbanjando os seus grandiosos 38mm de altura! Uau!
Nunca me senti tão emocionado em toda a minha vida!!!
“Olá”, disse eu para você, telepaticamente e com os olhos vidrados no monitor. “Sou seu pai! E você, é meu filho!”
Sinceramente, ainda estou aprendendo essa coisa toda de ser pai. É tudo uma grande novidade. Esteja você certo, porém, da decisão que tomei naquele momento: serei o melhor pai do mundo superando, inclusive, o meu pai. Tenho consciência da difícil missão que terei, mas sem dúvida alguma, dedicarei minha vida a esse empreendimento.
Sendo assim, nesse meu primeiro registro para você, gostaria de deixar uma mensagem.
Há alguns dias atrás, eu estava conversando com um amigo que também é pai. Os filhos dele já estão bem grandes e gosto muito deles. São bons meninos. Então, estava elogiando esse meu amigo sobre a criação que eles tiveram, meio que na vontade de aprender algo. E esse meu amigo me disse o seguinte: “Ensinei meus filhos desde pequeno sobre uma coisa: jamais magoem as pessoas.”
Sabe, esse ensinamento me fez refletir muito. As pessoas para quem contei esse episódio, sem exceção, acharam um belo ensinamento.
Digo a você que isso é muito bonito e, sem dúvida, importante. Porém, a primeira mensagem que te deixo não é do que não se deve fazer. Se posso lhe desejar ou transmitir algo, gostaria que você tivesse como meta sempre fazer algo pelas pessoas, pela sociedade e pela humanidade.
Não fazer algo que magoe as pessoas será sempre mais fácil. Gostaria, contudo, que optasse e se lançasse, com toda a sua força, em fazer a diferença na vida do máximo de pessoas que conseguir. Tenho convicção de que dessa maneira você poderá edificar uma existência verdadeiramente significativa.
Por hoje, vou ficando por aqui.
Amo você!
Primeira Viagem
Querido filho,
Ontem, a noite foi bem difícil. Levei sua mãe e você à rodoviária. Vocês foram para Bauru a fim de participar do aniversário de 15 anos de suas primas Beatriz e Bianca que acontecerá no final de semana. Sua mãe aproveitará para matar as saudades da mãe dela e de todo o pessoal por lá e você estará sendo apresentado em "forma de barrigão" rsrsrs. Você já é uma celebridade. Todo mundo quer te conhecer.
E eu? Bem, eu tive que ficar em razão de um trabalho muito importante que estou fazendo. Como consolo, procuro me concentrar no fato de que esse projeto que estarei apresentando na sexta-feira e no sábado poderá fazer a diferença na vida de várias pessoas. E, além disso, assim como todas as outras coisas da vida, trabalhar se tornou algo mais significativo depois que soube de sua existência. De toda a forma, é inevitável sentir saudades.
"Saudades"... sentimento bem forte esse... Já escreveram uma infinidade de músicas, poesias e até livros a esse respeito. Sentir, porém, é algo indescritível, apesar das louváveis tentativas.
Enfim, só sei que é o que estou sentindo... muitas saudades! Eu até ia pedir pra sua mãe te deixar comigo, pra quem sabe fazermos um programa bem do tipo "pai e filho". Poderia te levar num jogo de futebol do NOSSO (né?! rsrs) time, ou ao cinema, ou ao parque, ou para comermos um lanche, ou a um teatro, ou a um museu, ou lermos um livro juntos, ou jogarmos video game, ou um futebol... ou tudo isso e mais alguma coisa! Mas, acho que vamos ter que adiar um pouco ainda... por razões óbvias sua mãe teve que te levar. E aí que por isso esse final de semana vai ser bem difícil. A sensação é a de que você vai nascer e vai passar o resto do ano inteiro antes do final de semana terminar. Caramba, hoje é só sexta-feira ainda!
Assim, na tentativa de minimizar a distância e o tempo, fico pensando em você e lembrando de algumas coisas.
Dias atrás, fui com a sua mãe fazer um curso de amamentação. Filho, nem sabia que isso existia, mas foi muito legal e importante. A palestrante trabalha no Banco de Leite Humano, é enfermeira e especialista no assunto. Eu já acreditava que a enfermagem fosse uma das profissões mais bonitas, mas a especialização e a paixão dessa mulher, realmente me impressionaram muito. Além disso, é claro, as informações - todas muito atuais e de acordo com as últimas pesquisas científicas - foram muito valiosas. Particularmente, saí de lá com a sensação de estar mais preparado para essa importante fase de nossas vidas.
Infelizmente, meu filho, vai me faltar "equipamentos" para aplicar eu mesmo toda aquela teoria. Sua mãe é quem terá a honra. Mais uma vez, ainda que como coadjuvante, estarei me esforçando para "tirar uma casquinha" da grandiosidade dessa fase e participarei no que me for biologicamente possível.
Ahhh... saudades. Muitas saudades...
Saudade é aquilo que faz 547 Km parecerem milhas e milhas,
é aquilo que faz um final de semana parecer a eternidade,
é aquilo que de um lado constata a distância e o tempo,
mas, que de outro, faz, nem a distância, nem o tempo, importarem.
Saudade é amor intenso, presente e atual.
Com a esperança renovada de que os dias passem mais rapidamente, vou encerrando por aqui.
Amo você!
Seu pai.
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